quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Questão d sobrevivência Cap.4-Part.3


Part.3

Vou até ela, a abro e entro dentro de um corredor com quatro quartos, o meu é o número 4. O único trabalho que tenho agora é de abrir a porta do meu quarto e cair feito uma pedra na cama depois de jogar a mochila das minhas costas no chão. Tudo se escurece e eu durmo o tempo que necessito como um bebê. Meus olhos se abrem, já está de manhã, me levanto, dou aquela espreguiçada. Dormi numa noite tranqüila, tudo estava escuro, sem nenhum sonho estranho e sem acordar em minha casa. Estou aqui dentro do quarto que entrei, meu medo era de que fosse acordar no meu apartamento ou em qualquer lugar estranho, ainda bem que estou aqui. Hora de levantar e ir para o posto pegar minha moto e ir embora daqui, pego minha mochila, boto nas costas. Entro no corredor, vou abrir a porta, mas ela já está aberta. Passando para o outro lado, já vejo o dono do bar sentado numa cadeira olhando o movimento lá fora, falo:
- Bom dia.
- Bom dia. Cê já tá indo?
- Eu tô.
- Fica aí pra tomá pelo menos um cafézinho.
- Tá bom, onde ele tá?
- Ali em cima do balcão. – ele me aponta o dedo.
Vou até o balcão, boto o café na xícara e tomo um gole. Ele me pergunta:
- De onde cê veio sô?
- Vim de Pernambuco. – minto pra ele.
- É muito longe daqui, quê que cê veio fazê aqui?
- Visitar minha família.
- Ah bom.

Tomo o resto do café num gole e digo a ele:
- Bem... Já vo.
- Uá! Mai já?
- Eu estou com muita pressa. Com licença.
- Só uma coisa que você deve saber cara.
- O quê?
- É mais fácil de ver homens heróis como o cê na televisão.
- Ran, ran, é né... Isso é mesmo raro de se fazer. Até logo. – lhe aceno a mão.
- Até logo. – ele também acena.

Saio do bar e vou até o posto, chegando lá, vejo minha moto intacta. Antes de ir resolvo entrar na lanchonete a fim de comer alguma coisa, entrando lá peço a mulher que está atendendo, um suco de cupuaçu e uma quitanda. Como normalmente, até que ouço uma voz alta:
- Passa a grana que isso aqui é um assalto!
Olho para traz vejo dois assaltantes, um no meio da lanchonete e o outro no caixa tirando todo dinheiro que pode. Só me faltava essa pra variar... Q semana puxada q to tendo! Um deles aponta sua pistola na minha cabeça e fala:
- Passa a grana, íbecil!

Mal começo o dia já me vejo obrigado a passar por mais encrenca de novo, o que devo fazer? Isso que me pergunto, até me parece que sou perseguido por confusão sem parar. Bancar o herói de novo, o meu maior medo nisso é de não conseguir se livrar desses cretinos e acabar saindo com uma bala na cabeça, tudo bem que eu já fiz defesa pessoal por quatro anos e sempre fui bom de briga desde os sete, mas o professor só aconselhou reagir se não tiver outra opção. Ou mata ou morre. Ou então se for sabendo o que você vai fazer, faça! Logo o cara me ameaça com a vós mais alta:
- Quê que cê tá esperando porra! Passa logo a grana!
Vamos analisar melhor os fatos bem rápido, tem um babaca me apontando uma arma na cabeça e um outro ameaçando uma mulher que está no caixa e eu esqueci a arma que peguei dos bandidos no dormitório. Não tem mais ninguém suspeito aqui dentro disfarçado de cliente, só eu, duas mulheres e dois bandidos. O quê fazer? Levanto minhas mãos na altura dos meus ombros, dou um pequeno sorriso para o bandido e digo:
- Peraí, eu vo pegá seu dinheiro.
- Mais anda logo antes que eu...

Quando ele menos espera, já estou mandando a mão na arma dele lhe desarmando, em seguida completo com um chute na boca do estômago do bandido. Na hora que o outro se vira para ver o que está acontecendo, já toma um tiro bem no ombro, largando a arma. Quando o outro se levanta com uma faca, com minha outra mão vazia,(A esquerda, a usa lhe pegando do lado em que a junta do braço não se dobra.) faço um movimento rápido lhe pegando no pulso(Do braço direito com a faca.), dando uma virada rápida, colocando meu braço em cima do seu e terminando girando de costas, mandando minha costela pressionando-a contra a junta de seu braço. Fratura exposta na hora! Nesse mesmo movimento, estou virado em direção ao outro bandido. Aponto a arma para o outro braço dele, que está prestes a pegar a pistola que está no chão, leva um tiro bem no bíceps. O outro que estou segurando, rapidamente lhe dou uma cotovelada na nuca, que por sua vez ele cai no chão desacordado. Depois pego uma pequena impulsão e acerto uma voadora chutando verticalmente com bico do coturno, no queixo do outro que ainda estava de pé. Ele cai no chão, vejo que mais uma vez eu consegui me sair bem. A mulher do caixa vê aquilo, impressionada me diz:
- Você saiu de que filme por acaso!? Seu maluco...
- Com certeza foi dos melhores. – dou uma risada e sorrio para ela – Até mais, tenho que ir.

Vou saindo de lá normalmente, começo a me lembrar dos elogios que recebia do meu mestre, ele dizia q era veloz e q pensava rápido. Falava que eu raciocinava e aprendia rápido e que tinha ótimos reflexos. Eram bom tempos aqueles, tinha dezessete anos quando comecei, depois que entrei na faculdade, não tinha mais tempo de me dedicar as artes marciais. Me formei, arranjei meu trabalho, parei. Só depois que me estabilizei, eu pude dedicar meu tempo no clube de tiro e sempre treinava sozinho, já que desde o dia que sai da academia nunca mais vi meu mestre. Apesar de raramente ter me metido em briga, agora que eu me lembro, q ele sempre me ensinou a me controlar emocionalmente em situações como essas, q é algo q vale mais do q os golpes d kung fu e krav magá. Percebo que o melhor de tudo é que consigo botar em prática nas horas que realmente se precisa. Apesar de fazer seis anos que parei de praticar com ele, vejo o que ele me ensinou, tem me servido bastante.
Nesse curto espaço de tempo dou uma pequena refletida. Será que esses bandidos não deixariam nenhum amigo de fora os esperando para pegá-los quando fugissem? Será que eles são tão burros assim? Acho que sim, eles não devem ter pensado nisso. Agora já do lado de fora, vou pegar a moto e ir embora. Mas pra variar... Tinha de acontecer d novo, parece que eles não foram tão burros assim! Estão vindo dois homens mal encarados, para o lado da lanchonete, cada um com uma pistola e eu estou com uma arma na minha mão. Logo eles apontam as armas para mim e começa uma troca de tiros. Antes que o primeiro atire, já toma uma bala em seu peito, foi um tiro que acertei por puro desespero. Ainda no desespero, começo a voltar de costas rapidamente para lanchonete que está apenas a dois metros das minhas costas. O outro começa a descarregar as balas em cima de mim, um tiro acerta na parede perto de mim, um outro no galão de hidrogênio da moto, explode na hora!

Nisso eu já estou dentro da lanchonete, escorado com as costas numa parede, o bandido não tinha terminado ainda de atirar, logo vejo um liquidificador atrás do balcão da lanchonete estourando com uma bala e esparramando o suco de cupuaçu para todos os lados, aquele que tinha esquecido de tomar. A mulher dentro do balcão logo se abaixa e diz desesperada para mim:
- Pensei que você tivesse cuidado de todos estes bandidos!
- E eu ia esperar que tivesse outros dois esperando lá de fora!?
- Faça alguma coisa!

Dou uma olhada de relance para fora e a polícia está vindo correndo do outro lado do posto, o bandido entra de pressa no seu carro, dá uma macha ré se vira em direção a rua e sai numa arrancada só com carro. Os dois policiais atiram em direção ao carro, o vidro de traz é baleado com três tiros, que parecem não ter impedido o bandido de continuar. Para aproveitar mais um dia de herói, vou para o lado de fora, miro bem no pneu traseiro do carro e dou um tiro certeiro daquela distância de quarenta metros que estou. (Com certeza os que jogam RPG quando lerem isso, vão dizer que foi um acerto crítico nos dados.) O carro logo capota, sai arrastando uns quinze metros de cabeça pra baixo e ainda bate com a lateral num poste, dois carros que estavam na rua freiam rapidamente para não se colidirem com o carro. Os policiais vão até o carro, um deles olha para mim e diz:
- Obrigado cara.

Eu simplesmente faço um sinal para ele levantando a minha mão vazia, rumo a minha testa deixando apenas meu dedo indicador e meu dedo anular erguido. Vou até os policiais e digo ao que me agradeceu:
- Tome a arma, não é minha.
O policial pega a arma e pergunta:
- Quem é você?
Sou obrigado a mentir para não gerar desconfianças:
- Me chamo Fábio.
- Obrigado Fábio, devia ter mais homens como você por aqui.
- Com licença, agora tenho que ir.

Saio andando na rua, me vejo obrigado a arranjar carona ou um ônibus para chegar no meu destino. Andando pela rua, ouço um caminhão parando do meu lado. Um caminhão bem conservado, de marca famosa mas antigo, cor vermelha. O motorista bota a cabeça de fora. Ele usa óculos transparentes, com uma cara barbada, já está de cabelos encaracolados meio brancos e é negro. Ele olha para mim e diz:
- Ei cara! Pra onde cê tá indo?
- Por enquanto eu ainda não sei direito.
Ele dá uma risada e responde:
- Não sabe onde vai?
- Por enquanto não sei.
- Entra aí cara. Posso te dar carona até o lugar que precisar.
- Obrigado. Bem que eu vou precisar.

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