sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Como tudo aconteceu Cap.6-Part.2


Part.2

Com toda aquela escuridão e frio, acendemos uma fogueira, tiramos uma “prosa” sobre lendas da tribo, religião, legalização das drogas e até mesmo o RPG. E o estranho que eu já pressentia que aquilo iria acontecer, quando nós terminamos de conversar me lembrei que no começo do livro que estava lendo, o personagem Carlos, ia ter essa conversa e depois matar seus companheiros quando fosse dormir no meio de uma vigia para segurança do acampamento. A paranóia voltou na hora, será que eu irei matar mesmo meus amigos? O tão temido dia chegou! Era só eu não dormir, pois dizia o livro, se eu começasse a dormir, começaria uma chacina se eu acordasse. O nosso grupo combinou de revezarmos a segurança na noite do acampamento, começando por mim, o guia e o biólogo da nossa expedição. Pegamos nossas armas e fomos. Algum tempo depois, quase acabando o tempo de nossa segurança, ouço um certo barulho em cima daquelas árvores, parecia algo nos observando pulando de galho em galho. Falei aos meus companheiros que me ajudavam na segurança do acampamento:
- Tem alguma coisa estranha aqui! – digo demonstrando medo.
Marlon me responde:
- Você que deve estar estranho.
- Não, eu ouvi alguma coisa, parece que estamos sendo observados por algum animal que deve estar perto.
- Está ficando paranóico, isso sim.
Muapi fala:
- Também ouvi algo estranho nessas árvores.
- Viu Marlom, tá vendo que eu tinha razão. – digo a ele.
- Marlom, vamos nos separar e dar uma olhada em volta do acampamento. – diz Muapi a Marlom.

Marlom fala:
- Tudo bem. E qual é o plano?
Nisso eu digo:
- Vamos nos separar e olhar pelos três cantos do acampamento.
Muapi fala:
- Será que não é melhor ficarmos juntos.
Eu respondo:
- Eu vou olhar o lugar sozinho.
Marlom fala:
- Eu irei com você então Muapi.
- O mais certo é que estivéssemos juntos...

Enquanto os dois conversavam, já estou andando pelo acampamento com meu rifle, observando as árvores meio aflito, de repente ouço rugido felino gritos de sofrimento: “Ahaaaaar! Ahaaar!” Sinto meu sangue gelar, todos acordam, saem de suas barracas e redes armados com suas pistolas e rifles gritando aflitos, pondo-se em prontidão: “Quê que ouve!? Quê que tá acontecendo!?” Aí que do escuro percebo um braço ensangüentado vindo de cima e caindo do meu lado, ficamos todos apavorados no centro do acampamento, do nada nos apareceu aquela fera negra, assustadora e enorme dilacerando rapidamente três dos nossos companheiros. Afastei-me rapidamente antes de atirar, vejo meus outros companheiros fazendo o mesmo que eu e atirarem feito loucos na fera de aparência humanóide. Mas não! Como era rápido... Não o pegávamos! Um dos nossos começou a correr desesperado e foi rasgado pelas costas, mesmo nós usando lanternas, mal víamos a fera. Pois ela não parava quieta, ia para todos os lados, se escondeu de nós. De repente, saiu da escuridão matando a garradas, em questão de milésimos de segundo, outros cinco companheiros próximos de mim. Continuo me afastando rapidamente, aperto o gatilho e percebo que não tenho mais balas.
A fera para... Olha para mim e vem andando calmamente para meu lado. Mesmo suando frio, consegui recarregar meu rifle com as poucas balas que ainda restavam, apontei para o desgraçado há sete metros de mim. Puxei o gatilho e descarreguei com vontade todas as balas, impressionantemente ele conseguiu evitá-las, esquivou-se perfeitamente das balas! Vendo melhor com a claridade da fogueira, vejo uma fera negra com mais de dois metros e meio de altura, olha pra mim com um sorriso macabro, gotejando sangue de sua boca. Era um homem meio onça, era um Guatinchara. Não pensei duas vezes, estava com tanto medo, que corri feito um doido. Poderia fazer cem metros em sete segundos, vi a lancha amarrada na margem do rio, tirei o facão de minha cintura, cortei rapidamente a corda num só golpe. Pulei dentro da lancha, por sorte a chave já estava no câmbio do barco, liguei o motor e zarpei de lá com tudo.

Pensando estar livre daquele animal, passando entre as árvores do rio Amazonas mais aliviado, quando menos espero, algo pula das árvores no bico da lancha! Assustado, caí de costas no chão da lancha, era aquele bicho horrendo prestes a me atacar! E agora... O que me espera... Que irá me acontecer... Será que vou morrer?
Deitado no chão, percebo à meu lado um sinalizador, peguei-o rapidamente e dei um tiro perfeito no peito da fera. Foi tão forte o impacto, que o desgraçado deve ter voado mais ou menos cinco metros de distância, direto para água. Levantei-me, vi que a lancha estava prestes a bater nas árvores e pulei dela no momento exato da colisão. A conseqüência não poderia ser pior, a lancha explodiu, fazendo-me voar mais ou menos dez metros, caí violentamente no chão. Não sentia mais meu braço direito, devo ter quebrado, mas me sentia aliviado, pois a fera não estava mais me perseguindo. Levantei-me, andei um pouco para margem do rio, desconfiando de algo, para ver o que sobrou da lancha e se tinha realmente me livrado dele, parece que estava sozinho. Pensei estar sozinho! Mais não! Maldita fera que não morre! Levantou-se da água atordoada, com ferimento bem grave no seu peito, mas ainda querendo me matar! Nisso eu me perguntei, por que eu não fui embora correndo quando ainda pude? Mas agora era tarde, a fera veio em minha direção e não estava muito feliz. Me atacou com aquela garra enorme, sem nenhuma precisão, não foi difícil esquivar, o medo nos faz fazer coisas inacreditáveis quando os encaramos de frente. Fui parar atrás das costas dele, mas não esperava um coice no peito e fui parar a mais ou menos cinco metros da fera. Colidindo com as costas num galho de uma árvore meio seca, com quase a circunferência de um DVD, quebrou na hora! Eu estava esticado no chão e a fera pulando direto sobre mim, peguei o galho quebrado usando o braço que não tinha fraturado, o levantei com a ponta para cima, dessa vez foi certeiro. Bem no meio da ferida feita pelo sinalizador, atravessou o peito da fera, o sangue dela jorrou em cima de mim. Enquanto a fera descia, apoiei meus pés em seu peito. Depois, consegui sair de baixo da fera com muito custo, tive que fazer muita força com minhas pernas para tirá-la de cima de mim, agora só algo me importava... Eu sobrevivi! Com aquele galho na mão, o levantei para o alto como se fosse uma lança, dei um grito como se fosse um guerreiro e depois o joguei no rio. Voltei meus olhos para fera e algo estranho começou a acontecer, a fera começou a tomar forma humana!

Espantado, eu olhei aquilo que me parecia familiar. Fiquei mais horrorizado ainda, quando descobri quem era. Era nosso guia Muapi! Lá estava ele ainda com as roupas e botas intactas no corpo. Por que ele faria isso? Pareceu ser um homem bom, não passou de uma ilusão. Que loucura era essa agora!? Entendia tudo! Quando ouvi gritos, era Marlom sendo morto por ele. Espere um pouco!? Então quem estava pulando de árvore em árvore? E percebi que isso estava acontecendo de novo, quando menos espero! Pulam mais três deles, que se diferenciavam por usar tangas em seus corpos.Dois aparentavam uma mistura de homem e onça pintada, agora eu estou morto, não adiantaria fugir, pois estava muito cansado. Lutar! Só se fosse para morrer, me ajoelhei e fiquei quieto esperando pela morte. Um deles, um outro homem onça negra, que estava entre os dois, um pouco maior do que aquele que matei. Se diferenciava com um cabelo grande, olhou para o guia... Olhou para mim. Nisso eu me perguntava: “E agora... Que me falta acontecer?” Aquele ser extraordinário se transforma em um índio alto com quase dois metros, com tatuagens tribais estilo cerâmicas indígenas, por quase a metade do corpo, só dava pra perceber as tatuagens por q as nuvens saíram da frente da lua cheia. Fala para mim o índio:
- Para tribo Guatinchara! Um homem de coragem vale mais do que tudo! Por isso conseguiu se livrar da morte. Mas não se esqueça avisar para o homem branco que quiser nos descobrir por interesses próprios e nos destruir! Estarão sujeitos a isso! Você não sabe o que recebeu, isso lhe será útil como ensinamento de vida. Uma nova condição!

Eles saíram de lá pulando de árvore em árvore, perturbado, sai correndo pela noite no meio daquelas árvores sem parar, sentia minhas botas espirrando lama para trás. Apesar de estar com o braço quebrado e muito ferido, não estava nem aí para a dor, fui tomado por uma loucura. Vi um barranco e me deu vontade de pulá-lo, dei um pulo bem distante, deveria ser mais de cinco metros, consegui chegar do outro lado que era mais baixo. Caí dando um rolamento, me levantei e continuei correndo naquela lama até chegar num pasto de capim bem alto. Começou a chover forte e senti meu corpo se transformando novamente, minhas calças(Obs: Calça de elástico.) e minha camisa que eram largas ficaram justas, minhas botas se rasgaram e não estavam mais nos meu pés, eu era um Guatinchara! Um homem meio onça parda, minhas roupas se rasgavam um pouco enquanto eu ia correndo como um bicho pela mata, como se usasse quatro patas, sentindo todo aquele capim nos meus braços e as gotas de água nas minas costas. Não sei quanto eu tinha corrido, sei que era muito. Parecia um bicho do mato, um bicho desesperado por ajuda no meio daquele mato, passei por um riacho. Nesse riacho, molhei minhas pernas, vi que tinha uma ponte à cerca de trinta metros. Na hora em que saí do riacho, subi em cima de uma pedra, me destransformei.
Pois estava muito cansado, quando ia passar para o outro lado, me escorreguei e caí desmaiado no chão de tanto cansaço. Não queria mais me levantar, pois não tinha mais forças para correr e nem mais forças pra querer viver. Tive pesadelos horríveis enquanto dormia, como se tudo tivesse voltado ao acampamento, mas eu que era a fera negra q matava todos. Depois disso veio as lembranças deu ter acordado no hospital militar, no meio da floresta. Senti um puxão pelo braço e uma voz masculina vinha pra minha direção:
- Carlos! Carlos! Acorda!

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